Junta de Freguesia de Torre de Dona Chama Junta de Freguesia de Torre de Dona Chama

A Festa de Santo Estêvão e dos Caretos é muito mais do que uma celebração religiosa. É um momento em que a comunidade revive costumes ancestrais, preservando um património cultural único.

O peditório para a festa começa no fim-de-semana seguinte ao dia de Santa Catarina, 25 de novembro. Fazem o peditório, em ronda pelas ruas da vila, quem do grupo de mordomos tiver disponibilidade para participar. Vestem-se de caretos, tocam as tarolas ou caixas e os bombos que vão animando e marcando o ritmo das rondas de peditório e ao acompanhá-los, partilham histórias sobre a festa em décadas anteriores, ensinam os mais novos a tocar ou, esclarecem dúvidas que os mordomos possam ter sobre a festa e sobre os papéis que envolve. Dos preparativos, que são responsabilidade dos mordomos, fazem ainda parte: a recolha de lenha para a fogueira de natal; a disponibilização de carnes e bacalhau para assar, pão, café e vinho para alimentar e acalentar os festejos na noite de dia 25 de dezembro; organizar todas as etapas da festa, entre a noite de 25 de dezembro e a corrida da mourisca e queima do castelo, que encerram a festa na tarde do dia seguinte. Cabe, ainda, aos mordomos nomear o grupo que tomará o seu lugar no ano seguinte e que será anunciado no final da missa de Santo Estevão no dia 26.

A festa começa depois de concluídos os festejos natalícios, na noite de dia 25, substituindo a reunião familiar pela reunião coletiva, na rua, no Largo da Berroa. A partir das oito da noite, o grupo de mordomos dirige-se para a fogueira, acompanhados pelas tarolas e pelos bombos. Dali, da fogueira, partem todos, liderados pelo grupo de mordomos, que vai indicando o caminho e parando em frente de cada porta, pela boca de embudes (grandes funis) deitam os jogos à praça: Manda el Rei meu Senhor Amanhã Sairá com os jogos à Praça (gritam/chamam pelo nome do proprietário da casa) Olhó... (e diz-se um nome satírico, p.ex. Olhó caga-baixinho! ou Olhó o Photoshop!) Esta “lengalenga” é dita por um dos mordomos e todos repetem cada uma das frases em coro, dando, assim, uma volta pelas ruas que pode durar até à uma ou duas da manhã. Esta “introdução” é uma forma de apelar ao envolvimento de todos os habitantes na festa, protagonizando este chamamento dos cristãos a participarem na batalha que se irá dar no dia seguinte pela reconquista desta terra aos mouros. Finda esta ronda juntam-se todos na fogueira e comem e bebem até de madrugada. Os mais resistentes aguentam despertos toda a noite, os restantes aproveitam para descansar e participar ou assistir no dia seguinte aos atos que irão completar a festa. Durante a noite faz-se o “roubo dos burros”. Os burros estão  ainda integrados na saída da “ciganada” – uma ronda matutina e satírica em que vários participantes a trote nos burros pretendendo ser comerciantes, faziam uma ronda pelas casas centrais da vila, em brincadeira de faz de conta, imitando antigas feiras e comerciantes de gado, provocando o riso e a sátira. De manhã, entre as 7 e as 8 horas saem as Madamas. Acompanhadas, como sempre, pelo passo ritmado das tarolas e dos bombos, marcando o despertar da vila, num ato também ele jocoso e carnavalesco, atiram por vezes farinha, metem-se com quem encontram, levam rábano, batata e bacalhau crus para oferecer. A meio da manhã, na Praça Central, os mordomos montam o castelo que irá ser queimado. Às duas realiza-se a missa de Santo Estevão, a ele estão ligadas muitas das festas dos rapazes do nordeste transmontano. É durante a Missa de Santo Estevão que se prepara o ato principal. Lá dentro, na primeira fila, estão o rei mouro (ou rainha) e o cristão. Será esta uma representação de um “falso” sinal de paz, que irá justificar a batalha que decorre a seguir? No final da missa, pela porta lateral esquerda, o pároco, acompanhado da imagem do Santo, benze o pão que cada um dos fiéis trouxe. Este pão bento será depois consumido em cada casa, num gesto simbólico de proteção divina. A missa termina com uma volta dos fiéis em torno da igreja liderados pelo pároco que transporta o Santo. O primeiro disparo, em grupo, dos caçadores que durante toda a missa estiveram cá fora à espera deste momento, marca o início da batalha. O cortejo organiza-se para aquela que, em breves minutos, será a batalha do ano pela reconquista cristã deste território. É então que tudo começa: A rainha ou o rei mouro vão à frente (como que fugindo), protegidos pelo grupo de mouriscas que os segue e pelo grupo de caretos que, com os seus paus, vai tentando impedir que os caçadores passem e consigam atingi-las.  A regra do jogo é simples: as personagens intervêm correndo para trás e para a frente - mouriscas, caretos e caçadores. De cada vez que, os caçadores ultrapassam os caretos e alcançam as mouriscas, lançam um disparo (de pólvora seca) em sinal de vitória e regressam ao início. Assim segue o cortejo, sempre acompanhado pelos bombos e tarolas, no seu ritmo habitual. Ao chegarem ao castelo os caçadores rodeiam-no e queimam-no. É hora de celebrar mais um ano de reconquista.

Neste cortejo, no fundo uma brincadeira entre vizinhos, amigos e famílias que aqui se reencontram a cada ano, festeja-se também a Torre de Dona Chama, uma vila marcada pela ocupação romana e por uma história ligada à lenda de Dona Chama.


DOCUMENTÁRIO RTP

CARTAZ 2025

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  • Local:Torre de Dona Chama
  • Data:25 e 26 de dezembro

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